quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Luluzinha do Boitatá


Amo o carnaval de rua do Rio. Desde que me mudei pra Cidade Maravilhosa, oito anos atrás, sempre passei o carnaval aqui. São centenas de blocos pra escolher. Tem pra todos os gostos: bloco pequeno, bloco gigante; pra criança, pra velhinho, pra gay; que sai em trio elétrico, que sai em bonde, que concentra mas não sai...

Tem gente que faz da festa uma verdadeira maratona. É que os blocos começam de manhã cedinho e varam a noite, os foliões atrás: de um bloco pra outro, pra outro e pra outro. Já vi gente que faz até tabela, tipo horário de colégio. Das 8 às 10 - Céu na Terra; das 10 ao meio-dia - Rio Maracatu; meio-dia às 2 - feijoada da escola de samba; das 2 às 4 - ensaio do Carmelitas... Assim segue, tentando, nos raros horários vagos, encontrar pelo caminho os blocos que não divulgam horário pra não inchar demais. A noite termina nos showzinhos que rolam na Lapa. Há que se ter resistência, meu amigo!

Só que esse ano eu resolvi deixar de ser mera espectadora saltitante dos blocos para virar uma verdadeira foliona. Daí que eu e Marcio partimos pro Saara, região do centro do Rio onde vende-se de tudo. E baratinho! Voltamos pra casa com uma sacola imensa cheia de chapéus, fru-frus, balangandãs, boás, confete e serpentina. E foi também a primeira vez que eu fui no Cordão do Boitatá, o bloco mais legal que há (mas que desfila às 8 da madrugada, horário incompatível com o meu).

Às sete da matina já estávamos os dois, um árabe e uma Luluzinha cheios de remela e olheiras, dentro do carro, bocejando sem parar, rumo à Praça XV. Abro um parêntese: a idéia de me fantasiar de Luluzinha apareceu meio por acaso. O Marcio estava atrás de um chapéu pra fantasia de malandro. Entramos numa chapelaria super tradicional, de mais de cem anos. E foi lá que eu dei de cara com a boina vermelha. Sempre me disseram que eu era a cara da Lulu. Era só achar um vestidinho vermelho e a fantasia estaria pronta, já que o cabelo já é cacheado, não exigiria nenhuma intervenção. Por incrível que pareça, o mais difícil mesmo foi achar o tal vestido vermelho. Estava quase desistindo (parece que nesse verão só fabricaram vestidos estampados, impressionante!), quando encontrei um perfeito.

Voltando ao bloco: não me arrependi do sacrifício de madrugar em pleno carnaval. Imagine um baile a fantasia no meio da rua. Imaginou? Então viu o Cordão do Boitatá! Peter Pans, Minnies, Brancas de Neve, toda a família Flintstone, o Cascão e a Mônica, um mar de chapéus e perucas coloridas, todo mundo pulando no cordão, apesar da chuva sem trégua que o espírito-de-porco do São Pedro fez cair no Rio o carnaval todinho (por culpa dele, não tenho registro fotográfico da minha fantasia perfeita de Luluzinha, com a boina vermelhinha linda de morrer!).

Depois do Boitatá seguimos a tradição de um bloco atrás do outro e só fui chegar em casa de madrugada. Tudo bem que depois eu peguei uma baita de uma gripe e fiquei em casa nos outros dias. Mas o sábado valeu!

Pensa que o carnaval acabou? Qual o quê! Esse sábado tem o Mulheres de Chico. E eu vou! De Joana Francesa. Me aguarde!





terça-feira, 25 de setembro de 2007

Coisas com as quais eu DETESTO gastar dinheiro

  • Despertador: Coisa mais escrota que o homem já inventou. Já falei do meu ódio a este estraga prazeres aqui.
  • Guarda-chuva: Tem coisa mais chata que chuva? Tem sim: guarda-chuva! Campeão nos balcões de achados e perdidos (por que será?).
  • Absorvente: Precisa comentar?
  • Produtos de limpeza: Já detesto ir ao supermercado, ainda mais com a lista da Graça (faxineira e furacão) na mão: água sanitária, Veja, detergente, desinfetante, sabão em pó... Argh!
  • Conserto de eletrodomésticos: E os meus estão todos contra mim. Isso porque eu não mencionei o som do carro... Ah! O disc man também pifou!
  • Manutenção do carro: Tá atrasada!
  • Remédio: Ninguém gosta de gastar com isso, né? E eu, ultimamente, tenho gasto mais do que nunca... É a idade? - perguntarão vocês. Que nada! Aguardem explicações sobre esse tópico.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O dia em que eu fui na minha primeira festa de música eletrônica


Eu admito: tinha o maior preconceito. Mas, no fim das contas, até gostei. O lugar era bacanérrimo e eles passavam umas projeções mutcho doidas na parede. A música eu continuo achando chata. Mesmo assim, dancei até o dia raiar e voltei pra casa feliz da vida. Ponto pro Marcio!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A chave do problema


Dia chatíssimo no trabalho, semana de relações estremecidas com o Marcio, meu namorado, ocasião perfeita para o afloramento da minha veia artística dramática mexicana. Enquanto dirigia e chorava, ia pensando: “Ainda bem que tenho pilates hoje, tô precisando respirar pausadamente. Quem sabe o oxigênio me entorpece e me tira desse mau humor dos infernos...”.

Depois de pegar um engarrafamento nada normal para aquele horário – fungando, enxugando as lágrimas e convencida de que aquilo era um complô para me tirar do sério –, cheguei em cima da hora da aula. Parei bem em frente à academia. Peguei as bolsas, escondi o que ia ficar no carro embaixo do banco. Fechei o carro com a chave dentro. O carro trancou sozinho.

Nesse momento, o fluxo dos meus pensamentos – que reproduzo a seguir – ficou meio confuso:

“Caralho, merda, isso tinha que acontecer HOJE? Eu sou muito idiota mesmo!”.

“Hum, mas eu tenho uma chave reserva. Tá lá em casa, na pasta branca que o Gui (meu pai. É, eu chamo meu pai de Gui) montou com toda a papelada do carro. No armário do quarto de televisão, tenho certeza”.

“Ah, quer saber?, vou fazer o pilates, depois vou em casa, pego a outra chave, volto e pego o carro”.

“Putz, a chave de casa tá dentro do carro!”.

“Putaquiupariu! A única outra chave lá de casa tá com o Marcio”.

Dadas as circunstâncias, fui obrigada a fazer a última coisa que eu queria: ligar pro Marcio.

- Marcio, você vem na academia hoje?
- Ahã.
- Agora?
- Já tô indo.
- Traz a minha chave.

Assim, curta e grossa, sem explicar nada. Ele deve ter pensado que eu estava terminando o namoro, sei lá. Dez minutos depois ele apareceu na academia. Sem a chave, que ele só foi buscar depois de esclarecida a situação. Fez questão de me acompanhar até em casa, apesar de eu ter saído andando na frente, pisando duro, sem olhar pra ele.

Chegando em casa, fui direto olhar no armário onde eu tinha certeza que a pasta do carro estava. E, adivinha só?, não estava lá. Em vez de bater a cabeça na parede, fui tomar um banho pra acalmar. Aí me lembrei: a chave só podia estar na casa da minha avó, onde eu morava antes, junto com umas outras pastas cheias de material da faculdade que, aliás, já deviam ter virado fogueira faz tempo.

Liguei pra minha avó e confirmei: a chave estava mesmo lá. Parêntese: eu e minha avó moramos relativamente perto da academia, mas em direções opostas. Sendo assim, eu tinha pela frente uma caminhada de mais de meia hora só pra ir. Pra completar, ia acabar perdendo o capítulo da novela em que iam matar a gêmea má. Droga! Fecha parêntese.

Eu disse que não precisava (com a delicadeza que me é peculiar), mas o Marcio fez questão de ir comigo. “É escuro, perigoso, Nana”, ele disse. Fomos fazendo as pazes pelo caminho e chegamos na casa da minha avó como se nunca tivéssemos brigado.

Meu namorado é um anjo; sou muito sortuda, eu sei. Isso é o que eu digo até arrumar algum outro motivo idiota pra brigar com ele. Quando isso acontecer, puxem a minha orelha, por favor; me façam lembrar deste episódio.

(Mesmo assim, resolvi fazer várias cópias da chave da minha casa e distribuí-las entre os amigos mais chegados. Por via das dúvidas...)

Ah! No fim da história, resgatamos o carro e fomos tomar um chopinho pra comemorar.

Pior que é

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sobre homens e bolsas


Acontece sempre: a moça sai de casa com a bolsa já abarrotada com seus próprios pertences de primeira necessidade. Carteira, chaves, documentos, batom, celular e a lotação da bolsinha já está esgotada – ninguém gosta de ir pra night de maxi-bolsa, né? Só que aí o namorado, ou aquele amigo folgado, pergunta se não dá pra guardar “só a chave, a carteira e o celular” na bolsa dela. E toca a tentar burlar a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Resultado: ele sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos, enquanto ela adquire uma escoliose tentando se equilibrar no salto com todo aquele peso.

É para acabar com essa injustiça que eu lanço aqui a campanha pela volta (e permanência) da moda de bolsas para homens. Sim, porque eu me lembro bem que quando eu era criança, homem usava bolsa. Os mais ripongas usavam umas de couro a tiracolo (meu pai era um), mas também tinha umas que pareciam carteiras grandes, as capangas (nome que eu achava muito engraçado na época). Tempos depois veio a moda das hediondas pochetes de Bali. Eram abomináveis, sim, mas atire a primeira pedra quem tem por volta dos 30 anos e não teve seu exemplar da bolsinha indonésia.



Sarah Kay e sua indefectível ankle boot


A verdade é que feio é tudo que não está na moda. Ou alguém usava ankle boots antes, além da Sarah Kay? Com tantos e tão talentosos designers de moda, não é possível que ninguém invente uma bolsa legal, que agrade os homens e que livre as mulheres de carregar as bugigangas deles. Hein, Gilson Martins? Hein, Joana Pegado? Hein, Alexandre Herchcovitch? O desafio está lançado. Homens de bolsa já!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Nos braços de Morfeu

[desenho do Weno]



Seis e meia da tarde. Sujeito encontra a namorada na academia. Namorada sai por alguns instantes da sala de pilates para dar um beijinho em Sujeito.

Sujeito: - Tô com saudade. Vamos nos ver mais tarde?
Namorada (já sabendo que Sujeito vai demorar mais que ela na academia): - Vamos sim. Me liga quando sair daqui.

Sete da noite. Namorada sai toda alongada e feliz da vida da academia. Era o primeiro dia de pilates depois de quase seis meses em que estivera afastada por falta de tempo ($). Chega em casa, toma um banho, prepara um suco e uma comidinha, alimenta-se, vai ver um pouco de TV.

Nove e meia da noite. Finalmente, Sujeito telefona.

Sujeito: - Oi, linda. Me desculpa, cheguei em casa, deitei um pouquinho e peguei no sono. Só acordei agora.
Namorada (ainda sob o efeito calmante do pilates): - Não tem problema. Quer vir aqui em casa?
Sujeito (aparentemente empolgado com a idéia): - Vou só trocar de roupa e estou indo.

Onze da noite. Sujeito ainda não chegou. Namorada começa a ficar preocupada. Afinal, Sujeito mora a dez minutos a pé da casa dela. Resolve telefonar para ver o que houve. Liga duas vezes e ninguém atende. Agora Namorada está realmente preocupada. Será que ele foi assaltado? Atropelado numa das duas ruas que ele tinha que atravessar pra chegar aqui? Pensamentos horríveis passam pela cabeça de Namorada.

Onze e meia. Namorada tenta ligar de novo. Dessa vez, Sujeito atende.

Sujeito (com voz de sono misturado com susto): – Alô.
Namorada: – O que aconteceu?!
Sujeito: - Dormi de novo... Desculpa, tô indo praí agora.
Namorada (incrédula, furiosa, irada, indignada): – Não! Você não vem mais, não.

Por que, meudeus, os homens fazem coisas assim? E como ainda conseguem achar tudo normal e pensar que não fizeram nada de mais?